Capítulo 34 - Gosto de gente

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Gosto de gente simples, que facilita a vida. Gente que se ajoelha para amarrar o cadarço do outro, que estende a mão para levantar alguém, que ajuda a recolher o que caiu no chão. Gente que devolve o que pegou emprestado sem quem emprestou insistir, gente que sabe que achado é roubado quando se nota o descuido de quem perdeu.

Gosto de gente que acena, que dá bom dia, boa tarde e boa noite, gente que diz por favor e obrigado. Gosto de gente que ajuda a carregar o peso, gente que ajuda, que abre caminho para a ambulância passar. Gente que sabe respeitar as regras, que reconhece seu lugar. Gente que se conhece, que conhece seus pecados e que se esforça para ser melhor do que foi ontem. Gosto de gente que se desentende, mas que perdoa e pede perdão. Gente que não guarda rancor, que tira proveito de qualquer situação.

Gosto de gente que emana boas vibrações, que te faz chorar de tanto gargalhar, que acelera seu coração, que te escuta, que te ajuda apenas por se fazer presente, que te dá colo, que divide experiências. Gente que tem um imã que te atrai, que sente saudades, que te procura e te acha, que guarda segredo. Gente que não determina funções em um relacionamento, mas que quer, simplesmente, amar o outro. Gente que liga e que escreve carta, que assiste um pôr do sol, gente que doa tempo, sentimentos e sabedoria a alguém. Gente que assiste filme no escuro, comendo pipoca e debaixo de um cobertor, gente que reúne os amigos pra fazer nada. 

Gosto de gente que é dedicada, que dá o melhor de si, que sonha, planeja e tem fé. Gente que separa tempo para trabalho e descanso, gente que vai à luta, que usa a cabeça, que não encara tudo por obrigação, mas com leveza sempre. Gente que não desiste na primeira oportunidade, que persiste para dar certo.

Gosto de gente que sabe a hora de brincar e de levar a sério. Gente que aprecia a paisagem, seja ela qual for. Gente que quer conquistar sem passar por cima de ninguém. Gosto de gente que não deixa para fazer amanhã. Gente que usa seus dons e talentos para o bem. Gente que não tem dupla personalidade, que é criativa, determinada e fiel. Gosto de gente que é diferente, que não faz só porque está na moda.

Gosto de gente que canta, que dança, que ensina sem soberba e que é capaz de parar para aprender. Gente que é pacífica, que evita estar em confusões. Gosto de gente que respeita a hora de falar e de ouvir, gente que se expressa, que ri e chora, que se apaixona, que tem limites, que se respeita, que se cuida, que se valoriza, que possui autocontrole.

Gosto de gente que anda sorrindo, que tem brilha sem ofuscar o brilho dos outros, que clareia um dia nublado e o torna mais aconchegante. Gosto de gente que abraça, que beija, que aperta, que segura sua mão. Gente que te incentiva, te renova, te refaz, te encoraja. Gente que não é possessiva, gente que é delicada. Gente que respeita a privacidade e a preferência dos outros. Gente que sorri com os olhos e não deixa a felicidade escapar de sua boca.

Gosto de gente humilde, que sabe que o valor da vida não está no “ter”, e sim no “ser”. Gosto de gente que tem muito e que doa, gente que tem pouco e recebe. Gente que não retém, mas compartilha. Gosto de gente que tem postura, mas que não tem nariz em pé. Gente que sabe conversar, que tem o que falar, que defende o que acredita. Gosto de gente que sabe que todo mundo é gente.

Gosto de gente com princípios e valores puros, que é boa influência, que é livre, que cuida da família, dos amigos e do ambiente onde vive e frequenta. Gente que é feliz por fazer o correto. Gente que opina com boas intenções e respeita as diferenças. Gente que não depende de atitudes boas dos outros para agir com bondade. Gente que tem o equilíbrio entre a razão e emoção. Gente que procura ter um coração puro, pensamentos limpos e atitudes transparentes.

Gente que ama todo mundo, mas repreende a maldade. Gente que não faz acepção, mas que deseja e faz o melhor, não importando a quem. Gente que enxerga virtudes e não aponta para julgar, que admira a beleza singular de cada pessoa. Gente que diz a verdade com carinho, que não fala por trás, gente que é justa, que foge da corrupção, que não fura fila, que dá a preferência.

Gosto de gente que viaja, que vive a loucura com sabedoria, que não espera a morte chegar, nem deixa a vida levar. Gente que sabe que  o tempo voa, que a vida é frágil. Gente que vive um dia de cada vez, que vive cada experiência em seu determinado momento. Gente que arrisca, sabe ponderar, que sabe viver.

Gosto de gente que valoriza seus potenciais, mas que admite sua pequenez, finitude e dependência. Gente que reconhece que ainda há muito o que aprender, que sabe que nem tudo o que pensa e faz é correto e que nem sempre estará com a razão. Gosto de gente que sabe que não nasceu para viver sozinho, gente que sabe ser gente, gente que gosta de gente.

Capítulo 33 - Teorias

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Existe em nós uma característica que nos dá a sensação de poder, soberania, exaltação, de estar no topo de uma escala de valores e ideias. Esta característica influencia todas as áreas da nossa vida, inclusive a psicológica e espiritual, levando-nos, consequentemente, a criar teorias para explicar como somos e pensamos ou apenas para ter desculpas. Auto-suficiência é esta característica.

Somos humanos, criados para pensar, mas também sentir. Foi dada exclusivamente a nós a racionalidade e, junto dela, os sentimentos. A racionalidade nos permite um bom desempenho do que fazemos, mas a emotividade nos proporciona sensibilidade capaz de procurar e fazer o melhor. Porém, o excesso de racionalidade traz prejuízos, frieza, dificuldade de relacionar-se e prepotência incapazes de ampliar a visão, ter expectativas e esperanças, se limitando ao tempo de agora e nos dando a ilusão de que somos auto-suficientes. As vezes a falta de fé não é originada por uma frustração, mas sim por esta excessiva racionalidade.

Em meio a toda essa imensidão infinita que é o Universo, o qual não podemos nem sequer cogitar o tamanho e os segredos ali guardados, somos tão pequeninos quanto um grão de areia, frágeis, fáceis de se levar. Toda a grandeza presente lá no infinito não foi criada, não existe apenas por existir, assim como nós. Por que seria? Não poderia existir alguém que seja a origem de tudo? Sem muita racionalidade, precisamos parar para refletir sobre esta possibilidade, permitindo, aos poucos, que a emotividade nos invada para que tenhamos um sentido, um significado e deixarmos de ser apenas como poeira levada pelo vento.

Teorias deste mundo tentam todos os dias provar, as vezes de maneira absurda, a inexistência de Deus enquanto sobrepõe o poder do homem. Talvez por querer ser superior, pela frieza do coração ou, simplesmente por falta de fé. Com essas teorias, vem a nossa necessidade de acreditar em algo, em ter uma base, independente de religião. Considero até essencial esta característica da nossa natureza. A preocupação está no quê acreditamos porque, quando se acredita, uma vida inteira é entregue, sofre e causa mudanças de acordo com nossa fé.

Muitos sabem, devido ao modo de vida de outras pessoas, que Deus existe. Porém, acreditar e aceitar isto requer grande maturidade da fé e humildade da alma. Por isso existem tantas teorias a respeito de inúmeros acontecimentos da vida humana e a respeito de religiões que, consequentemente, nos reduz a tolos enquanto pensamos que estamos sendo exaltados, nos dando a falsa ilusão de que podemos cogitar e entender plenamente o porquê da nossa existência e o meio pelo qual tudo se originou.

Enquanto muitos tentam se auto exaltar com suas teorias, em paz vive aquele que reconhece que só existe uma verdade e um nome: Jesus, e que é através deste nome que todas as coisas foram criadas e que nossa vida ganha sentido. Sendo assim, não é preciso que haja mais conflito entre a fé e a razão na vida de quem vive este nome, pois é estabelecido um lugar para cada uma delas, respeitando todo o limite da lógica e tendo, sobretudo, fé, pois até mesmo para se ter uma lógica ou teoria é preciso acreditar nestas. 

Acreditar é ter fé. Fé a qual nos leva a ter esperança em toda e qualquer situação que vivemos neste mundo. Talvez, enquanto aqui vivemos, jamais conseguiremos comprovar com teorias a existência dEle, mas comprovamos com o coração! Deus não é Deus de teorias, mas de sensibilidade, de exemplos, que vive em pessoas para mostrar seu amor.

Capítulo 32 - Brilho atemporal

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Durante muito tempo e, ainda hoje, passeia por mentes e corações grandes dúvidas e sentimentos a respeito do tempo. Tempo passado, tempo presente e futuro. Cada qual carrega consigo a aspereza de um arrependimento e a emoção de uma conquista.

Enquanto pequenos, tudo está bem, ainda não há nenhum anseio tão fervoroso. Mas crescemos, descobrimos, nos interessamos, almejamos, lutamos por sonhos que começam a fazer parte de nós. Enquanto jovens, por mais que o tempo e as situações tragam dificuldades, todo o processo de busca por um sonho é belo, magnífico! Não é preciso ser cientista ou idoso para saber que a juventude é, de fato, a fase mais incrível da vida ou, pelo menos, quando se iniciam os acontecimentos deste tipo.

Se tudo tem seu tempo, cabe a cada indivíduo viver incansavelmente cada momento. Porém, isso não basta para que se evite uma futura saudade ou arrependimento. E para isso, acredito que não haja teoria, manual ou remédio contra tal inevitável circunstância da vida.

Jovens que vivem intensamente e explosivamente, adultos que vivem moderadamente, idosos que vivem apreciando o tempo de seus filhos e netos. Jovens que não moderam, jovens que se repelem, deixando passar, pelo elevado grau de intensidade ou pela ausência desta, a época que determina todas as outras que ainda estão por vir.

Não há juventude sem intensidade, porém não há vida se esta intensidade for maior do que a ponderação. Há tempo para tudo e, em cada tempo, para ser plenamente vivido, deve haver a sabedoria, a racionalidade caminhando ao lado da emoção de cada momento para que, assim, a saudade não pese, o arrependimento seja escasso, mas útil para o amadurecimento e para que se viva os tempos, fazendo transcender o brilho adquirido na juventude.